Você já sentiu aquele frio na espinha quando, em meio a um corredor de supermercado ou em uma reunião de família, seu filho subitamente desaba em um choro incontrolável? A sensação de impotência, misturada ao olhar de julgamento alheio, é um dos maiores desafios do crescer que pais e cuidadores enfrentam. É como se, naquele momento, toda a sua habilidade de educar fosse colocada à prova diante de um vulcão emocional em erupção.
Entender sobre birras infantis como lidar de forma eficaz requer, antes de tudo, compreender que esse comportamento não é uma afronta pessoal, mas um grito de socorro de uma criança que ainda não possui ferramentas para gerenciar grandes emoções. A psicologia positiva nos ensina que o que chamamos de “manha” é, na verdade, uma desorganização onde a criança precisa de ajuda para se autorregular, e não de punição.
1. Por que as Birras Acontecem? O Cérebro em Crise
Para decifrar as birras infantis, precisamos entender o que acontece “sob o capô”. Até por volta dos 7 anos, o córtex pré-frontal — área responsável pelo controle de impulsos e lógica — ainda é muito imaturo. Quando a criança se frustra, o sistema límbico (o centro das emoções) assume o controle total.
De acordo com estudos publicados no Journal of Child Psychology and Psychiatry, a birra é uma resposta fisiológica ao estresse agudo. É o que chamamos de “sequestro da amígdala”. A criança não está sendo “ruim”; ela está sobrecarregada por uma emoção que não consegue nomear ou processar sozinha. Do ponto de vista da psicologia positiva, esse é o momento em que a criança “perde a conexão” e precisa que o adulto seja sua âncora.
O Papel do Desenvolvimento Emocional
Abaixo, veja as principais causas que levam aos episódios de descontrole:
| Causa Comum | O que a Criança Sente | O que o Adulto observa |
| Exaustão Física | “Meu corpo não aguenta mais” | Choro por qualquer motivo |
| Fome / Queda de Glicose | “Minha energia acabou” | Irritabilidade extrema |
| Super estimulação | “Muitos barulhos e luzes” | Descontrole súbito |
| Falta de Linguagem | “Não sei explicar o que quero” | Gritos e agressividade física |
2. Estratégia: Conexão antes da Correção
Este é o pilar central da Disciplina Positiva. Não se ensina alguém a nadar durante um afogamento. Da mesma forma, não se educa uma criança durante a birra. O primeiro passo da estratégia sobre birras infantis como lidar é garantir a segurança e a conexão emocional.
- Validação: Diga “Eu vejo que você está bravo porque queria aquele brinquedo”. Isso ajuda a criança a se sentir compreendida, o que reduz a intensidade da crise.
- Presença Silenciosa: Às vezes, apenas estar por perto, oferecendo um porto seguro sem excesso de palavras, é o suficiente para baixar o cortisol da criança.
3. Estratégia: O Redirecionamento Empático

Esta técnica foca em desviar a atenção do gatilho da frustração para algo lúdico. Quando percebemos que a “nuvem cinza” está chegando, mudar o foco sensorial pode evitar a explosão. Se a criança está fixada em algo proibido, tente: “Nossa, você viu aquela formiguinha carregando uma folha ali no jardim? Vamos ver para onde ela vai?”. O objetivo não é enganar, mas ajudar o cérebro a sair do modo de “luta ou fuga”.
4. Estratégia: Antecipação e Previsibilidade
Crianças sentem-se seguras quando sabem o que vem a seguir. A maioria das birras ocorre em momentos de transição.
- Avisos Prévios: “Faltam 5 minutos para terminarmos o desenho e irmos jantar”.
- Rotina Visual: Ter um quadro com desenhos das atividades do dia ajuda a criança a entender o fluxo do tempo, diminuindo a ansiedade.
Conforme orienta a American Academy of Pediatrics, rotinas consistentes e previsíveis reduzem significativamente os episódios de oposição e resistência.
5. Estratégia: Ofereça Escolhas Limitadas
O desejo de autonomia é uma das causas principais das birras. Em vez de dar uma ordem aberta que gera um “não”, ofereça duas opções aceitáveis para você:
- “Você prefere colocar o pijama de dinossauro ou o de astronauta?”
- “Você quer ir para o banho pulando como um sapo ou andando como um gigante?”
Isso dá à criança a sensação de poder e controle sobre a situação, o que apazígua a necessidade de rebelar-se.
6. Estratégia: O Exemplo vem da Calma (Autorregulação)
Aqui entra um conceito chave da psicologia: o adulto precisa ser o termostato, não o termômetro. Se você grita para a criança parar de gritar, você está validando o caos. Sua calma é o regulador externo dela. Através dos neurônios-espelho, a criança tende a buscar o equilíbrio ao observar um adulto que mantém a compostura mesmo diante do descontrole.
7. Estratégia: Foco na Solução, não na Punição

A psicologia positiva foca em ensinar habilidades de vida. Se a criança jogou comida no chão, em vez de colocá-la de castigo (que gera ressentimento), a consequência lógica é ajudá-la a limpar. “Você jogou a comida e agora o chão está sujo. Vamos pegar o aspirador para limpar juntos?”. Isso ensina responsabilidade e reparação, em vez de medo.
Como reforça o Harvard Center on the Developing Child, o aprendizado real acontece quando a criança se sente segura para errar e aprender com as consequências naturais de seus atos.
FAQ: Dúvidas Frequentes sobre Birras
Até que idade a birra é normal?
A birra é considerada normal entre 1 e 4 anos de idade, fase em que a criança passa por intensa maturação emocional e ainda possui vocabulário limitado para expressar sentimentos e necessidades.
Devo ignorar a birra?
Ignore o comportamento (os gritos), mas nunca a criança. Mantenha-se por perto para oferecer apoio assim que ela se acalmar.
Castigo funciona para acabar com a birra?
O castigo pode parar o choro pelo medo, mas não ensina a criança a lidar com a frustração na próxima vez.
O que fazer com as birras em locais públicos?
Mantenha a calma, retire a criança do ambiente se necessário e espere até que ambos estejam tranquilos antes de conversar. Evite dar lições de moral durante a crise; o diálogo será mais eficaz quando todos estiverem calmos.
Meu filho se joga no chão, é perigoso?
Geralmente não. Apenas se certifique de que não há objetos perigosos por perto e aguarde a tempestade passar.
Quando a birra indica algo mais sério?
Se as crises forem extremamente frequentes após os 5 anos ou envolverem violência excessiva, vale consultar um especialista.
Doces influenciam no comportamento?
Sim, o excesso de açúcar pode causar picos de energia seguidos de irritabilidade profunda.
Como saber se é birra ou alguma necessidade?
Antes de considerar que é birra, verifique se a criança está com fome, sono ou algum desconforto físico. Muitas vezes, necessidades básicas não entendidas pelas crianças, podem causar comportamentos difíceis.
Por que as birras pioram com os pais?
Porque é com eles que a criança se sente segura o suficiente para descarregar todas as suas emoções e tensões.
Ceder apenas para parar o choro é ruim?
Se você ceder ao desejo original (dar o doce, por exemplo), estará reforçando que a birra é o caminho para conseguir o que quer.
Conclusão
Lidar com as crises do seu filho é, talvez, o exercício mais profundo de autoconhecimento que você terá na vida. Cada birra superada com equilíbrio é um degrau a mais na construção de uma inteligência emocional sólida para o futuro da criança.
Diante de tudo o que vimos, qual dessas estratégias você sente que é a mais desafiadora para aplicar no calor do momento aí na sua casa?
Resumo para Leitura Rápida
- 🧠 Imaturidade: Lembre-se que o cérebro da criança, ainda não sabe se acalmar sozinho.
- 🤝 Conexão: Acolha o sentimento antes de querer corrigir o ato.
- ⏱️ Previsão: Avise antes de mudar de atividade para evitar choques.
- 🎭 Escolhas: Dê opções para que ela sinta que tem autonomia.
- 🧘 Auto-controle: Sua calma é a ferramenta mais poderosa de educação.
Gostou deste guia? Deixe um comentário abaixo contando qual dessas estratégias você pretende colocar em prática hoje mesmo!
Fontes e Referências
Pesquisa realizada em 10 de fevereiro de 2026.
- American Academy of Pediatrics (AAP). Emotional Development and Temper Tantrums. Disponível aqui
- Journal of Child Psychology and Psychiatry. Neurobiological markers of emotional regulation in early childhood. Disponível aqui
- Harvard Center on the Developing Child. Executive Function & Self-Regulation. Disponível aqui
- Positive Discipline Association. What is Positive Discipline? Disponível aqui
Formada em Pedagogia – Pela Universidade Cruzeiro do Sul / Especialista em Neuropsicopedagogia Clínica / Pós Graduada em Psicologia e Saúde Mental – Terapeuta Formada pelo Instituto Dr Edward Bach – Bach Centre/Inglaterra

